Ele se inclinou bem para a frente fazendo uma reverência. (...)
- Por que você está se inclinando desse jeito?(...)
- Lá de onde eu venho, explicou ele, nós sempre fazemos uma reverência quando alguém faz uma pergunta fascinante. E quanto mais pofunda for a pergunta, mais profundamente a gente se inclina. Nesse ccaso, perguntei, o que vocês fazem quando querem se cumprimentar? - Temos que fazer uma pergunta inteligente. Essa resposta me impressionou tanto, que fiz uma profunda reverência, me inclinando ao máximo.
- Por que você fez uma reverência? perguntou ele num tom quase ofendido.
- Por que você me deu uma resposta superinteligente para minha pergunta, - respondi. Daí, numa voz bem alta e clara, ele me disse algo que eu haveria de me lembrar pelo resto da vida. - Uma resposta nunca merece uma reverência. Mesmo quando for inteligente e correta, nem assim você deve curvar para ela. Quando você se inclina, você dá passagem para uma resposta. (...) A resposta é sempre um trecho do caminho que está atras de você. "Só a pergunta pode apontar o caminho para a frente".
(GAARDER, Jostein. Ei! Tem alguém aí? São Paulo: Campanha das Letrinhas, 1997)
Olá Regina!
ResponderExcluirSuperinteressante esse trecho. Não sou de decifrar enigmas, mas coloco-me na condição de enfrentá-lo. Nunca as respostas se findam com a pergunta de romper limites. As respostas podem vir através de um olhar, de um gesto, de um sorriso etc, etc,...A construção do conhecimento acontece quando é construido a medida que vamos conhecendo, já que imprimimos nossas marcas e vivemos numa permanente troca, somos influenciados e modificados com a nossa interação.
Abraços
Ual! Adorei!
ResponderExcluirGosto muito desse escritor, apesar de muitos dos meus colegas da filosofia não gostarem. Ele levanta temas filosóficos de maneira muito interessante, e esse trecho nos faz refletir sobre o mundo que vivemos e o que de fato nos parece mais importante nele...gostei muito :)