sábado, 17 de novembro de 2012




Breves palavras sobre a dialogicidade em EAD
Apesar de não ser fâ de Paulo Freire, reconheço que suas ideias, a exemplo da importancia da noção de dialogicidade em todo e qualquer processo de ensino-aprendicizagem como condição sine qua non. E a questão da dialogicidade na EaD é importantíssima, pois quebra o paradigma de que Amor, Humildade, Fé, Esperança e Pensar Critico só são possíveis no trabalho face-a-face.
Se nos é possível tais elementos no processo presencial, não poderia ser diferente no processo à distância, pois tais elementos são próprios do ser humano. E, no trabalho à distancia quem faz são pessoas. O que nos cabe perguntar é como esses elementos podem ser identificados nesse tipo de trabalho. E o texto sobre a dialogicidade de Paulo Freire vem pontuar condições identificadoras de tais elementos. Conforme transcrito abaixo, do texto de Priscila Barros David, José Aires de Castro Filho:
Afetividade (amor1): a mensagem contém elementos lingüísticos e/ou paralingüísticos (expressões não-lingüísticas que traduzem os sentimentos dos interlocutores. Ex.: emoticons) que representam um discurso baseado no respeito mútuo entre os interlocutores.
· Simetria discursiva (humildade): a mensagem reflete uma igualdade de papéis entre os participantes (alunos e tutor), ou seja, o discurso não possui conotação de superioridade ou de inferioridade.
· Valorização da autonomia (fé nos homens): as mensagens do tutor representam um incentivo à livre expressão dos alunos, estimulando suas contribuições com o ato educativo, propondo questões desafiadoras, solicitando explicações etc.
· Exercício da autonomia (esperança): a mensagem do aluno revela o interesse pelo aprofundamento dos conhecimentos, contendo elementos que atestam a sua postura proativa na busca de subsídios para enriquecer o debate.
· Reflexividade crítica (pensar crítico): o interlocutor demonstra fazer uma reflexão quanto ao seu próprio processo de aprendizagem e/ou sobre as produções dos demais participantes. A mensagem possui elementos argumentativos, contra argumentativos, questões, e a inclusão de elementos novos no debate.Essa questão e o texto da dialogicidade estão sendo de muita importância para quebrar certos paradigmas. 

Favianni da Silva
Sobre silêncio Virtual


    Olá caríssimo (as), a pedidos de alguns colegas de curso, creio que dentre as questões do “excesso de participação” e a “ausêncial do aluno” no AVA, quero trazer algumas reflezões a respeito dos desafios encontrados por nós turores, em particular, o “silêncio” do (a) aluno (as) nas diferentes atividades propostas. A atitude adotada pelo professor tem que ser a de motivador e incentivador à participação de todos, com a receptividade às expressões de diferentes opiniões, contudo, também a postura sábia de perceber o silêncio que poderá antecipar a intervenção de alguns, que podem achar necessário uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto. Como nas salas de aula presenciais as turmas serão formadas por grupos heterogêneos, com alunos que apresentarão características pessoas singulares, com personalidades que deverão ser consideradas no desenvolvimento das atividades. A corrente teórica de aprendizagem sócio-construtivista propõe o trabalho docente exatamente a partir e considerando essas diferenças. Assim sendo, poderemos encontrar também no círculo das atividades virtuais alunos que sejam tímidos. Essa característica da personalidade do aluno poderá fazer com que ele tenha mais dificuldade em expressar as suas idéias em um fórum de discussão. obre as diferentes causas do silêncio virtual agrego ainda a contribuição de Mourão: “Alunos extremamente calados podem estar buscando agredir o professor com seu silêncio. Ou apenas se preservarem de uma relação interpessoal conflituosa. Calado, evito aborrecimentos, pode pensar o aprendiz.” E ainda: “Se no mundo presencial há pessoas que não são muito mesmo de falar, porque no campo virtual elas são obrigadas a engolir as pílulas que a boneca Emília engoliu e tornarem-se uma “torneirinha de asneiras”, como descreveu Monteiro Lobato? ”... “há seres mais ouvintes do que falantes. Há, inclusive, profissionais pagos para apenas ouvirem.” Ainda navegando nos mares na pesquisa sobre o tema, encontrei no site da UFPB Virtual (instituição pela qual fui tutor a distancia), uma informação nova a ser agregada ao nosso conhecimento: “Na literatura inglesa, é caracterizado como "lurker" o sujeito que esta ausente da discussão em ambientes colaborativos online, mas pode estar interagindo “silenciosamente” apenas com o material do curso e leitura de mensagens.” Para encerrar, trago à contribuição de Gonçalves, a partir da seguinte citação: “o tema do silêncio, uma vez que, no processo da fala e da escuta, a disciplina do silêncio é importante na comunicação dialógica. Saber ouvir e acolher o outro constitui aspecto muito difícil e implica sabedoria. Sei que Há muito ainda a pesquisar quanto ao silêncio, cujos estudos e reflexões, certamente, poderão enriquecer a comunicação pedagógica educativa no ciberespaço.”


Favianni da Silva

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Elementos de dialogicidade: preparar-se para o caminho. 


Olá, pessoal maravilhoso!!!
 
Bem, falar de Paulo Freire não muito fácil, afinal, não li ainda nenhum escritor tão humilde e perseverante com a sociedade brasileira e a educação. Além disso, não tenho uma caminhada longa na pedagogia quanto nossas outras colegas aqui nesse curso...
Paulo Freire nos mostra que faz-se necessário preparar-se para atuação na educação, pois é assim que me sinto ao ler algum livro ou artido dele. Preciso me preparar porque, segundo Paulo, há elementos essenciais para constituir um diálogo no processo educacional. Elementos que concordo serem válidos e realmente essenciais para uma boa relação de comunicação, de ensino-aprendizagem.
Esses elementos: amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico, são na verdade uma forma de se pré-dispor a ouvir. Com esses elementos, o diálogo fui e produz frutos realmente bons para nós, pessoas que esperam o bem da sociedade.
Trazendo para EaD, percebo nossa relação tutor-aluno necessitando desses elementos em todos os momentos do processo de ensino, principalmente. Aqui, segundo Paulo, podemos ter amor, fé, humildade e esperança se sermos alheios, sem necessariamente sermos acríticos ou "bonzinhos", afinal, ele também fala no "pensar crítico" e isso é demasiado importante.
Trabalhar com formação de pessoas é exatamente isso: fé nos homens, humildade, esperança e amor. Não há receitas. Há grades curriculares, há ementas, há datas, prazos, certo, errado, mas não há a receita para SER. Cada um faz a sua participação ao vivo, sem ensaios, sabemos apenas por onde devemos percorrer, mas somos nós individualmente, que fazemos todo o caminho, e é aqui onde volto a falar da preparação: preparar-se para trilhar esse caminho dispostos a acolher o outro com hunildade, fé, amor e esperança, não deixando de lado nosso pensar crítico (da academia, por exemplo) para fazer nossas avaliações e percepções.
Ufa! Espero não ter ido muito longe!
Até mais, pessoal!

 

QUALIDADES NECESSÁRIAS PARA A PRÁXIS DIALÓGICA

Amor ao mundo e aos homens -  ato de criação e recriação;
Humildade - qualidade compatível com o diálogo;
- crença que fundamenta a criação e a recriação através da ação e reflexão;
Esperança - espera por algo por que se luta;
Confiança - acreditar na liberdade enquanto se luta;
Criticidade - perceber a realidade como conflituosa e inserida num contexto histórico e dinâmico.

(FREIRE, 1983, p.94-97)

Dialogicidade


Ao tratar dos elementos de dialogicidade de Paulo Freire percebo que estes ultrapassam os limites do que é pregado nas crenças religiosas que abordam o amor, a humildade e a fé como algo que vem de fora para dentro. Percebo tais elementos como algo que vai de dentro do ser para o outro ser de forma tão subjetiva que estimula no outro a vontade de ser mais, de querer mais, de dar mais, de compartilhar mais, de acreditar mais e de esperar mais.
Assim, o amor requer de quem ensina maior doação de tempo, de oportunidades para o desenvolvimento do educando, de buscar aprender mais para ajudar o educando. O amor tem a ver com a sintonia que temos com nossa área de atuação profissional. Assim, quanto mais amamos o que fazemos, mais doamos o que temos e o que poderemos ter (conhecimento).
A humildade tem a ver com o reconhecimento de nossos limites para aceitar e/ou mudar/consertar o que pode ser mudado/consertado. Como docentes somos referencia para nossos alunos e como seres humanos erramos. Esse peso e contrapeso, caracterizado com um dos elementos de dialogicidade, é um grande fator para nosso aprendizado e dos nossos alunos.
A fé nos homens também está pautada no diálogo educador e educando na medida em que se estabelecem relações de confiança, parceria, entendimento, compreensão.
A esperança, assim como os elementos já citados, é algo que se aprende com o tempo, com as pessoas, com os livros. Ela está relacionada com nossos planos e objetivos traçados ao longo da vida, do curso ou de uma disciplina. Não vivemos de forma saudável sem sonhos e objetivos.
Tão importante quanto os elementos já citados é “um pensar crítico”. É ter pé no chão ao olhar, falar, analisar, sentir e agir. Constantemente somos desafiados a tomar decisões as quais requerem de nós mais conhecimento e maior/melhor visão de mundo. Esta se amplia ao tempo que estudamos, trabalhamos e interagimos com os outros.
Nosso trabalho na EAD é permeado de ações que envolvem o diálogo com os alunos de forma direta e indireta (mensagens, fóruns, Chat, portifolio) propiciando o desenvolvimento dos elementos abordados porPaulo Freire. Creio que nosso problema maior, quanto a essa interação, esteja no fato de nossos alunos não serem muito assíduos, o que quebra um pouco a proposta da dialogicidade. Falo isso porque vejo com frequência alunos fazendo o mínimo de tudo que precisam fazer na disciplina, tipo: postando um comentário no fórum por obrigação, não buscando na ideia do colega algo que favoreça ou fortaleça seu entendimento sobre o assunto.
Percebo também que as dificuldades que enfrentamos na EAD não tem a ver com “um problema da virtualidade”, mas sim de compromisso de alunos e tutores, cultura de estudar sozinho,  de planejar, de ver possibilidades futuras a partir do curso ou disciplina.
O processo de ensino e aprendizagem é longo e a dialogicidade se apresenta como o melhor caminho para trilharmos na busca do que queremos encontrar.

Minhas Experiências em Tutoria

Olá Turma! Compartilhando com o grupo minhas primeiras experiências com EAD, inicio falando do 1º curso para formação de professores em EAD que fiz na modalidade semip esencial no IFETCE no ano 2000. Após este curso fiz vários outros relacionados ao uso das tecnologias na educação e apenas 3 em formação de tutores: 2 na UFC e 01 na UECE. Meu trabalho com tutoria na UFC começou em 2009 e atuo até hoje nas licenciaturas e bacharelado em Administração com foco em Gestão Pública.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012


  
A importância do diálogo

"A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. Como aprender a discutir e a debater com uma educação que impõe?" (Paulo Freire) 

Na concepção de Paulo Freire, o diálogo está fundamentado numa relação horizontal de comunicação e interação social, através do qual os indivíduos compartilham suas experiências sob condições de acesso livre e participação. O diálogo nutre-se de amor, humildade, esperança, fé, confiança e pensar verdadeiro (práxis) para estabelecer relação de respeito mútuo entre os comunicadores. Ele retoma essas características do diálogo com novas formulações ao longo de muitos trabalhos, contextualizando-as. A receptividade da comunicação pode ser mais eficaz se os sujeitos participantes estiverem nutridos destes elementos constitutivos. Daí surge o conceito de diálogo enquanto ação para a prática da liberdade.
 
Como vimos, o diálogo é o melhor meio para se alcançar um resultado promissor, fazer crescer e amadurecer as relações. Pode-se dizer que a EAD aproxima-se da educação dialógica, uma vez que a participação dos alunos se configura como estratégias de compromisso e cooperação, alicerçada sobre os pressupostos de equidade de acesso, democratização do saber, planejamento e gestão compartilhada de todas as ações. Nesse sentido, aprender não é estar em atitude contemplativa, mas estar envolvido em todas as ações educativas através do diálogo, reflexão crítica, questionamentos, participação, sugestões e opiniões, de modo a contribuir com o fazer pedagógico, favorecendo mutuamente o aprendizado coletivo. 

Na opinião de Freire, não existe diálogo se não houver um profundo amor ao mundo e aos homens (2003, p. 80). Desse modo, falar em diálogo significa reconhecer os seus elementos constitutivos: ação, reflexão, fé, amor,  humildade e esperança entre os homens. Na EAD esses pressupostos são de fundamental importância, dentre as competências do tutor, ou seja, possuir um domínio teórico acerca da aprendizagem, educação e tecnologia, bem como desenvolver atitudes e procedimentos, que evidenciem sentimentos e condições permitindo que se doe mais pela paciência, cooperação, compreensão, responsabilidade, compromisso, esperança na capacidade do ser humano, como também, ética e respeito pelo outro. Essa deve ser a tônica dos que querem fazer Educação à Distância.