quarta-feira, 14 de novembro de 2012


  
A importância do diálogo

"A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. Como aprender a discutir e a debater com uma educação que impõe?" (Paulo Freire) 

Na concepção de Paulo Freire, o diálogo está fundamentado numa relação horizontal de comunicação e interação social, através do qual os indivíduos compartilham suas experiências sob condições de acesso livre e participação. O diálogo nutre-se de amor, humildade, esperança, fé, confiança e pensar verdadeiro (práxis) para estabelecer relação de respeito mútuo entre os comunicadores. Ele retoma essas características do diálogo com novas formulações ao longo de muitos trabalhos, contextualizando-as. A receptividade da comunicação pode ser mais eficaz se os sujeitos participantes estiverem nutridos destes elementos constitutivos. Daí surge o conceito de diálogo enquanto ação para a prática da liberdade.
 
Como vimos, o diálogo é o melhor meio para se alcançar um resultado promissor, fazer crescer e amadurecer as relações. Pode-se dizer que a EAD aproxima-se da educação dialógica, uma vez que a participação dos alunos se configura como estratégias de compromisso e cooperação, alicerçada sobre os pressupostos de equidade de acesso, democratização do saber, planejamento e gestão compartilhada de todas as ações. Nesse sentido, aprender não é estar em atitude contemplativa, mas estar envolvido em todas as ações educativas através do diálogo, reflexão crítica, questionamentos, participação, sugestões e opiniões, de modo a contribuir com o fazer pedagógico, favorecendo mutuamente o aprendizado coletivo. 

Na opinião de Freire, não existe diálogo se não houver um profundo amor ao mundo e aos homens (2003, p. 80). Desse modo, falar em diálogo significa reconhecer os seus elementos constitutivos: ação, reflexão, fé, amor,  humildade e esperança entre os homens. Na EAD esses pressupostos são de fundamental importância, dentre as competências do tutor, ou seja, possuir um domínio teórico acerca da aprendizagem, educação e tecnologia, bem como desenvolver atitudes e procedimentos, que evidenciem sentimentos e condições permitindo que se doe mais pela paciência, cooperação, compreensão, responsabilidade, compromisso, esperança na capacidade do ser humano, como também, ética e respeito pelo outro. Essa deve ser a tônica dos que querem fazer Educação à Distância. 


2 comentários:

  1. Olá, Regina!

    Parabéns pelo texto!
    Falando em dialogicidade, amor, percebo o quanto é difícil pensar em diálogo sem uma predisposição ao "amor ao próximo": o próximo que fala e ao amor: cuidado em ouvir o que ele tem a dizer.
    Como isso é complicado nessa sociedade capitalista onde tudo tem um preço. Qual o preço do amor? Do diálogo? Fico me questionando e ainda não cheguei a uma conclusão a nível social. Chego a uma conclusão para mim: eu posso fazer diferente! Eu posso "aumentar" minha fé nos homens, meu amor ao mundo, mesmo que isso não seja o mais fácil de se fazer, mas... posso fazer a minha parte, não é mesmo?
    Até mais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rakel,

      Na verdade, aprendemos com o pensamento de Marx que não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência. Contudo, Marx parte de outro pressuposto. O homem é essencialmente ser histórico e social. Portanto, um desafio a ser superado em razão da imensidade de contradições evidentes no interior do sistema.
      Abraços,

      Excluir