Os múltiplos
conhecimentos: saberes do aluno, saberes do professor; saberes
locais, saberes universais1
Re-significando a
Educação2
Na atual vivência da
educação brasileira podemos perceber de maneira clara a
transformação existente entre as diversas relações sociais. No
processo educacional tal transformação se configura de maneira bem
interessante quando nos reportamos à relação existente entre
professor e educando.
Desde a criação das
primeiras formas de educação, damos à educação um caráter de
sociabilidade, pois a mesma permite aos indivíduos a transmissão
dos conhecimentos, da cultura e das moralidades vigentes em uma
determinada sociedade. Assim ,a escola se configurava como espaço de
transmissão de saberes, onde o professor tinha como função
primordial ensinar, ou melhor, repassar os conteúdos da maneira mais
adequada que o professor considerasse.
No contexto atual, tal
prática não pode ser mais realizada. Isso se deve muito à chegada
das novas tecnologias que possibilitaram aos educandos um maior
acesso à informação, não representando, porém, um maior acesso
ao conhecimento, principalmente pelo fato dessas informações não
serem concebidas pelos educandos de maneira clara.
Portanto, na atual
realidade educacional torna-se inconcebível a postura de um
professor que se denomina o conhecedor das realidades vigentes, o
famoso: “professor sabe-tudo”, pois com a quantidade de
informações que os alunos possuem atualmente, por muitas vezes, os
conhecimentos dos professores se tornam limitados. Assim, como lidar
com essa nova realidade? De que forma poderemos utilizar essas
informações de maneira proveitosa? Para tentarmos responder tais
indagações se faz necessário compreendermos o caráter informativo
proporcionado pelas novas tecnologias e o seu acesso. De acordo com
Kessel (2008)
A informação não é
mais privilégio das instituições educativas e pode chegar aos
educandos em diferentes lugares e situações. O controle sobre a
informação e sobre os significados a que os alunos têm acesso não
será mais privilégio da escola, nem do professor. Não há mais o
controle sobre conteúdos e interpretações como houve no passado.
(KESSEL, p. 04, 2008)
Assim, como o professor
não possui mais, ou melhor dizendo, nunca teve o controle dessas
informações, muito menos, acerca das interpretações realizadas
pelos educandos, se faz necessário a construção de um novo olhar
sobre a educação que busque integrar tais informações às novas
determinações sociais e construir de maneira eficaz a aprendizagem.
Na perspectiva de
responder os questionamentos anteriores, é importante provocar nos
docentes uma mudança de postura ante essas mudanças, desenvolvendo
junto com os educandos uma nova estratégia que vislumbre a
manipulação das informações a partir do processo de pesquisa, do
confronto de informações, re-significando conteúdos, e,
consequentemente, contribuir para a construção do ensino e da
aprendizagem.
É nesse quadro que
atuamos e é nele que, como educadores, precisamos forjar caminhos,
lembrando que, se a aquisição de dados dependerá cada vez menos de
nós, por outro lado nos cabe enfrentar o desafio de ajudar o aluno a
interpretar dados, relacioná-los e contextualizá-los, a partir
tanto de parâmetros globais, como locais, num jogo incessante,
dinâmico, entre os saberes da ciência, da filosofia, da arte e os
saberes da experiência, os saberes formais e não-formais, os
saberes universais e os locais. (KESSEL, p. 08, 2008)
Desse modo, a partir
desse contexto é importante promovermos cada vez mais uma
contextualização dessas informações, que são bastante dinâmicas,
buscando transmitir aos alunos de maneira clara e efetiva novas
formas de apreender os conhecimentos. Resumindo: consiste em criar
nos educandos o senso crítico a fim de possibilitar aos mesmos o
trato da informação de forma correta, não se deixando levar pelas
falácias e falsas informações existentes, que por muitas vezes só
confundem ao invés de promoverem um conhecimento.
1
KESSEL, Zilda. Os múltiplos conhecimentos: saberes do aluno,
saberes do professor; saberes locais, saberes universais. Boletim
Salto para o Futuro, ano 18, n. 15, set. 2008. Disponível em:
<http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2008/aventura/index.htm>
Acesso em: 16 jun. 2009.
2Emanuel
Andrade Leite – cursista do curso de Elaboração de Projetos –
Tutora: Jaiane
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