A importância do diálogo
"A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. Como aprender a discutir e a debater com uma educação que impõe?" (Paulo Freire)
Na concepção de Paulo Freire, o diálogo está fundamentado
numa relação horizontal de comunicação e interação social, através do qual os
indivíduos compartilham suas experiências sob condições de acesso livre e
participação. O diálogo nutre-se de amor, humildade, esperança, fé, confiança e
pensar verdadeiro (práxis) para estabelecer relação de respeito mútuo entre os
comunicadores. Ele retoma essas características do diálogo com novas
formulações ao longo de muitos trabalhos, contextualizando-as. A receptividade
da comunicação pode ser mais eficaz se os sujeitos participantes estiverem
nutridos destes elementos constitutivos. Daí surge o conceito de diálogo
enquanto ação para a prática da liberdade.
Como vimos, o diálogo é o melhor meio para se alcançar
um resultado promissor, fazer crescer e amadurecer as relações. Pode-se dizer
que a EAD aproxima-se da educação dialógica, uma vez que a participação dos alunos
se configura como estratégias de compromisso e cooperação, alicerçada sobre os
pressupostos de equidade de acesso, democratização do saber, planejamento e
gestão compartilhada de todas as ações. Nesse sentido, aprender não é estar em
atitude contemplativa, mas estar envolvido em todas as ações educativas através
do diálogo, reflexão crítica, questionamentos, participação, sugestões e
opiniões, de modo a contribuir com o fazer pedagógico, favorecendo mutuamente o aprendizado coletivo.
Na opinião de
Freire, não existe diálogo se não houver um profundo amor ao mundo e aos homens
(2003, p. 80). Desse modo, falar em diálogo significa reconhecer os seus elementos constitutivos: ação, reflexão, fé, amor, humildade e esperança entre os homens. Na EAD esses pressupostos são de fundamental importância, dentre as
competências do tutor, ou seja, possuir um domínio teórico acerca da
aprendizagem, educação e tecnologia, bem como desenvolver atitudes e procedimentos, que evidenciem sentimentos e condições permitindo que se doe mais pela paciência,
cooperação, compreensão, responsabilidade, compromisso, esperança na capacidade
do ser humano, como também, ética e respeito pelo outro. Essa deve ser a tônica dos que querem
fazer Educação à Distância.
Olá, Regina!
ResponderExcluirParabéns pelo texto!
Falando em dialogicidade, amor, percebo o quanto é difícil pensar em diálogo sem uma predisposição ao "amor ao próximo": o próximo que fala e ao amor: cuidado em ouvir o que ele tem a dizer.
Como isso é complicado nessa sociedade capitalista onde tudo tem um preço. Qual o preço do amor? Do diálogo? Fico me questionando e ainda não cheguei a uma conclusão a nível social. Chego a uma conclusão para mim: eu posso fazer diferente! Eu posso "aumentar" minha fé nos homens, meu amor ao mundo, mesmo que isso não seja o mais fácil de se fazer, mas... posso fazer a minha parte, não é mesmo?
Até mais!
Rakel,
ExcluirNa verdade, aprendemos com o pensamento de Marx que não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência. Contudo, Marx parte de outro pressuposto. O homem é essencialmente ser histórico e social. Portanto, um desafio a ser superado em razão da imensidade de contradições evidentes no interior do sistema.
Abraços,