Ao tratar dos elementos de dialogicidade de Paulo Freire percebo que estes ultrapassam os limites do que é pregado nas crenças
religiosas que abordam o amor, a humildade e a fé como algo que vem de fora
para dentro. Percebo tais elementos como algo que vai de dentro do ser para o outro ser de forma
tão subjetiva que estimula no outro a vontade de ser mais, de querer mais, de
dar mais, de compartilhar mais, de acreditar mais e de esperar mais.
Assim, o amor requer de quem ensina maior doação de tempo,
de oportunidades para o desenvolvimento do educando, de buscar aprender mais
para ajudar o educando. O amor tem a ver com a
sintonia que temos com nossa área de atuação profissional. Assim, quanto mais
amamos o que fazemos, mais doamos o que temos e o que poderemos ter
(conhecimento).
A humildade tem a ver com o
reconhecimento de nossos limites para aceitar e/ou mudar/consertar o que pode
ser mudado/consertado. Como docentes somos referencia para nossos alunos e como
seres humanos erramos. Esse peso e contrapeso, caracterizado com um dos
elementos de dialogicidade, é um grande fator para nosso aprendizado e dos
nossos alunos.
A fé nos homens também está pautada no
diálogo educador e educando na medida em que se estabelecem relações de
confiança, parceria, entendimento, compreensão.
A esperança, assim como os elementos já
citados, é algo que se aprende com o tempo, com as pessoas, com os livros. Ela
está relacionada com nossos planos e objetivos traçados ao longo da vida, do
curso ou de uma disciplina. Não vivemos de forma saudável sem sonhos e
objetivos.
Tão importante quanto os elementos já
citados é “um pensar crítico”. É ter pé no chão ao olhar, falar, analisar,
sentir e agir. Constantemente somos desafiados a tomar decisões as quais
requerem de nós mais conhecimento e maior/melhor visão de mundo. Esta se amplia
ao tempo que estudamos, trabalhamos e interagimos com os outros.
Nosso trabalho na EAD é permeado de
ações que envolvem o diálogo com os alunos de forma direta e indireta
(mensagens, fóruns, Chat, portifolio) propiciando o desenvolvimento dos
elementos abordados porPaulo Freire. Creio que nosso problema maior, quanto a
essa interação, esteja no fato de nossos alunos não serem muito assíduos, o que
quebra um pouco a proposta da dialogicidade. Falo isso porque vejo com
frequência alunos fazendo o mínimo de tudo que precisam fazer na disciplina,
tipo: postando um comentário no fórum por obrigação, não buscando na ideia do
colega algo que favoreça ou fortaleça seu entendimento sobre o assunto.
Percebo também que as dificuldades que
enfrentamos na EAD não tem a ver com “um problema da virtualidade”, mas sim de
compromisso de alunos e tutores, cultura de estudar sozinho, de planejar, de ver possibilidades futuras a partir
do curso ou disciplina.
Giza,
ResponderExcluirConcordo com você, o diálogo, a dialogicidade pressupõe um trabalho compartilhado, intencional, dentro de uma racionalidade que entenda a importância dos saberes necessários para um trabalho docente contemporâneo.
Olá Giza!
ResponderExcluirÓtimo texto, pontual e interessantE. Como você disse, a Ead é permeada pelo diálogo, ele é fundamental em nossa relação com os alunos. Assim como disse a REgina, o diálogo é um dos saberes fundamentais para um bom trabalho docente.